CAPILAR

QUEDA CAPILAR

Todo fio tem um tempo de vida. Ele nasce, cresce e cai. É um processo comum e a queda pode ser apenas sinal de mudança do ciclo capilar. Nem todos os fios encontram-se na mesma fase. Em condições normais, 85% dos fios do couro cabeludo estão crescendo enquanto o restante está em eflúvio, como chamamos o período de queda. Portanto é normal que o cabelo caia ao lavar e pentear. Como a raiz permanece ativa, logo inicia-se o crescimento de um novo fio. 

A duração do ciclo capilar varia de uma pessoa para outra, conforme predisposição genética. Em média, o fio cresce por quatro anos antes de ser trocado. Mas algumas pessoas têm um ciclo capilar de até oito anos enquanto outras têm de apenas dois 

O número de fios que cai por dia é específico para cada pessoa, portanto pode variar de 50-100 fios. Quando a queda deixa de ser normal e passa a ser motivo de preocupação? Não dá para falar em número de fios, pois isso varia e depende se você tem uma cabeleira mais densa ou mais rala. Contudo, o mais importante é haver percepção da mudança de quantidade de fios. Assim, deve-se procurar diagnóstico e tratamento o mais precocemente possível.

Doenças que podem levar a queda dos cabelos:

 

    1. EFLÚVIO TELÓGENO

É um nome dado para queda capilar intensa e difusa sem alterações na estrutura do fio. O eflúvio pode acontecer por vários motivos e, em princípio, começa 3 meses após o problema desencadeante. Citamos abaixo algumas das diversas causas:

  • Alterações da imunidade: Febre alta, infecção grave e/ou infecção recorrente

  • Dengue, Febre Amarela e outros

  • Pós parto

  • Cirurgias

  • Doenças da tireóide

  • Algumas doenças autoimunes

  • Estresse emocional intenso

  • Dietas restritivas, principalmente as que não contêm proteína suficiente

  • Pós cirurgia bariatrica

  • Deficiências nutricionais

  • Anemia

  • Restrição do sono ou insônia 

  • Medicações especificas

  • Suspensão do uso de contraceptivos orais

Geralmente a queda dos cabelos começa 2 a 4 meses após o fator desencadeante e pode resolver espontaneamente após 3 a 6 meses. Em alguns casos o eflúvio telógeno torna-se crônico, sendo muitas vezes difícil identificar a causa do quadro. A queda de cabelos pode ser intensa, principalmente após pentear os cabelos, na lavagem durante o banho, no travesseiro, assustando o paciente já que grande número de fios podem ser desprendidos. É importante corrigir as causas da queda, caso elas sejam identificadas. O uso de medicações locais e/ou orais ajudam na redução da queda. O cabelo em geral recupera bem após a melhora do efúvio telógeno, mas o paciente pode levar alguns meses para notar, já que o cabelo cresce em torno de um centímetro ao mês.

 

    2. ALOPECIA ANDROGENÉTICA (CALVÍCIE)

A calvície, também conhecida como alopecia androgenética, é uma manifestação que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, onde os fios sofrem um processo de afinamento e miniaturização. Os fios vão se tornando cada vez mais finos e têm o seu tamanho diminuído, levando a uma redução do volume global. Mulheres e homens podem ser acometidos. Após uma avaliação completa, é possível definir o melhor tratamento para cada paciente, assim como determinar os cuidados necessários para cada tipo de cabelo. O tratamento clínico consiste no uso de medicações tópicas aplicadas diretamente no couro cabeludo, associado ou não a medicamentos de uso oral, os quais serão prescritos de acordo com o caso do paciente.

    3. ALOPECIA AREATA

É uma doença auto-imune, que atinge igualmente homens e mulheres, caracterizando-se pela perda repentina de pêlos nas áreas afetadas. Pode atingir o couro cabeludo, assim como outras áreas corporais, como barba, cílios, sobrancelhas. O quadro pode ser localizado (alopecia areata em placas) e mais raramente pode acometer todo o couro cabeludo (alopecia areata total) e também atingir todos os pelos corporais (alopecia areata universal). A alopecia areata pode melhorar espontaneamente ou pode tornar-se crônica. O tratamento vai depender da extensão do quadro e a sua duração vai variar com a resposta de cada paciente. Medicações de uso local e de uso oral são opções, assim como a injeção de medicações nas placas sem pêlos.

    4. DERMATITE SEBORREICA 

Dermatite seborreica, também conhecida pelos nomes de seborréia ou caspa, é uma afecção crônica, não contagiosa, que se manifesta em partes do corpo onde existe maior produção de óleo pelas glândulas sebáceas ou a presença de um fungo (Malassezia sp). As causas da dermatite seborreica não são conhecidas. Sabe-se que alterações hormonais, estresse, clima seco, frio e mudanças bruscas de temperatura agravam o quadro. Ela se manifesta sob a forma de lesões avermelhadas que descamam e coçam principalmente no couro cabeludo. Em alguns casos muito intensos, podem ser confundidas com psoríase do couro cabeludo. Não existe tratamento para a cura definitiva da dermatite seborreica, mas existem medicamentos específicos para a pele e o couro cabeludo capazes de controlar os sintomas. Medicamentos administrados por via oral também podem ser usados, principalmente em caso de dermatite seborreica extensa e refratária a medicações tópicas.

    5. PSORÍASE

Psoríase é uma doença inflamatória da pele, crônica, não contagiosa, multigênica (vários genes envolvidos). Além da genética, outros fatores estão envolvidos no aparecimento e evolução da doença. Fatores psicológicos, estresse, exposição ao frio, uso de certos medicamentos e ingestão alcoólica pioram o quadro. Caracteriza-se por lesões avermelhadas e descamativas, normalmente em placas, que aparecem, em geral, no couro cabeludo, cotovelos e joelhos. Psoríase não tem cura, mas tem tratamento e controle. 

   6. LÍQUEN PLANO PILAR

O líquen plano pilar (LPP) é uma variante cutânea rara de líquen plano que afeta os folículos pilosos. Pode ocorrer isoladamente ou em associação com formas mais comuns de líquen plano (cutânea ou oral). Sua causa é desconhecida, mas acredita-se que seja uma patologia autoimune. Os fatores desencadeantes podem ser agentes farmacológicos, sensibilizantes de contato ou agentes infecciosos. Afeta mais frequentemente as mulheres e, em geral, manifesta-se na idade adulta (40-60 anos de idade), com alguns casos raros na infância. Ocorre inflamação perifolicular, escamas e queda de cabelo. Podem ser assintomáticos ou terem prurido ou desconforto. O couro cabeludo é a área mais frequentemente afetada, mas toda a pele com pêlo pode ser acometida, como por exemplo as axilas ou a região púbica. Lesões de alopecia cicatricial, únicas ou múltiplas, sem orifícios foliculares são típicas. Os tratamentos atuais visam diminuir a progressão da queda de cabelo e reduzir os sintomas. Os corticosteróides tópicos, intralesionais e orais são o principal tratamento. O uso de medicações orais para evitar a progressão da doença pode ser necessária.  Infelizmente, a reincidência é frequente.

 

   7. ALOPECIA FRONTAL FIBROSANTE

Uma das variantes do líquen plano pilar. Na Alopecia frontal fibrosante, existe perda simétrica e progressiva da linha anterior de implantação do couro cabeludo associada a perda das sobrancelhas.

 

8. ALOPECIA DE TRAÇÃO

alopecia de tração é decorrente da excessiva e prolongada tração dos fios. Ela ocorre mais frequentemente em pessoas que costumam prender os cabelos com “rabos de cavalo” apertados ou que usam apliques. Nesses casos, o trauma sucessivo pode gerar queda capilar e até mesmo dano permanente à raiz do cabelo, causando alopecia definitiva nas áreas de maior tensão.

 

9. OUTRAS POSSÍVEIS CAUSAS DA PERDA DE CABELO:           

  • Determinadas doenças infecciosas, como a sífilis e HIV

  • Algumas alterações hormonais

  • Tumor no ovário ou nas glândulas suprarrenais

  • Tricotilomania - Hábitos nervosos, como puxar o cabelo ou esfregar o couro cabeludo constantemente

  • Radioterapia

  • Tinea capitis (micose no couro cabeludo)

 

TRATAMENTO

Após uma anamnese detalhada e a realização de exames laboratoriais o médico irá optar pelo tratamento adequado. Este poderá ser realizado através do uso de tópicos (shampoos e loções) e medicações orais.

O primeiro passo no tratamento da queda de cabelo consiste na correção das causas quando forem detectadas. Como deficiências alimentares, doenças associadas ou alterações emocionais. É importante lembrar que a queda ocorre rapidamente, mas o crescimento de um novo fio demora, pois ele cresce cerca de 1 cm por mês. Por isso, a recuperação e o crescimento dos cabelos serão percebidos de forma gradativa. A terapia com medicamentos via oral e/ou tópicos necessita de uso prolongado para resultados satisfatórios.

Mais recentemente, a associação de diversas modalidades terapêuticas realizadas em consultório tem apresentado excelentes resultados.

Confira abaixo alguns dos tratamentos:

  • Intradermoterapia Capilar ou Mesoterapia: consiste em injeções, diretamente no couro cabeludo, de substâncias específicas capazes de promover o crescimento dos fios.

 

  • Laser de Baixa Potência ou LED – Essas luzes emitem energia que atinge diretamente o folículo piloso promovendo bioestimulação local, melhorando o desempenho celular na mitocôndria e estimulando o crescimento e espessamento capilar. O Laser beneficia a oxigenação do couro cabeludo, a vasodilatação, a redução de radicais livres, além disso aumenta a permeabilidade, permitindo maior penetração dos princípios ativos aplicados imediatamente após o procedimento.

 

  • Microagulhamento capilar com Dermaroller ou Smart pen: pode estimular e acelerar o crescimento de novos fios.

 

  • Drug Delivery: é um novo conceito que vem sendo utilizado em diversas áreas da dermatologia, inclusive no tratamento das doenças dos cabelos e couro cabeludo. O uso de tecnologias como os laser e o microagulhamento aumentam a permeabilidade da pele, possibilitando maior penetração dos principios ativos aplicados topicamente.

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