CAPILAR

INTRADERMOTERAPIA CAPILAR OU MESOTERAPIA 

A intradermoterapia, também chamada de mesoterapia, é um método terapêutico inserido por Michel Pistor, a partir de 1952, e baseia-se na aplicação, diretamente na região a ser tratada, de injeções intradérmicas contendo substâncias muito diluídas. Pistor definiu a intradermoterapia como um conceito terapêutico novo e simples, cujo objetivo é aproximar a região de aplicação da terapia da região patológica, para que se obtenha uma maior eficácia (UZEL, 2013). 

A intradermoterapia vem sendo utilizada há mais de 50 anos. Inicialmente voltada para o tratamento de síndromes dolorosas e afecções osteoarticulares, seu uso popularizou-se quando passou a ser indicada para tratamentos estéticos como rejuvenescimento facial, gordura localizada, celulite e alopecia (RIVITTI, 2007). 

Técnica de aplicação 

O tratamento deve ser administrado por via intradémica e subcutânea superficial (tecidos embriologicamente originados na mesoderme) e a dose aplicada deve ser pouca e no lugar certo. Na prática, o médico observou que era mais importante administrar pequenas doses em várias punturas superficiais do que aplicar doses mais altas e/ou mais profundamente (AZULAY, 2004). 

A intradermoterapia pode ser realizada utilizando apenas uma substância ativa para o tratamento de determinada patologia, embora que no tratamento de afecções estéticas normalmente se utilize uma mistura (mélange ou mescla) de princípios ativos cuja ação sinérgica teoricamente levaria a uma melhor resposta. É comum a utilização de agentes farmacológicos associados a fitoterápicos, vitaminas, oligoelementos e aminoácidos, cuja combinação irá depender da patologia em questão (KEDE & SABATOVICH, 2004). 

A aplicação clássica da intradermoterapia – denominada de ponto-a-ponto – deve ser realizada com injeções intradérmicas com até 4 mm de profundidade, aplicando-se 0,02 a 0,05ml do fármaco, com intervalos de 1cm a 2cm de distância, perpendicularmente à pele. Outra forma de aplicação utilizada é a nappage, que consiste em múltiplas punturas mais próximas, rápidas e superficiais, realizando uma varredura na área de tratamento (KONDA & THAPPA, 2013). 

Seria a aplicação intradérmica a uma profundidade máxima de até 4 mm um dos fatores responsáveis pelos resultados, uma vez que a derme funciona como um sistema de liberação lenta das drogas, por apresentar uma farmacocinética própria, levando mais tempo para atingir a corrente circulatória (HERREROS, MORAES & VELHO, 2011). Em outras palavras, Kede e Sabatovich (2004) afirmam que essa profundidade de 4 mm permitem a formação de um depósito medicamentoso na derme reticular, no espaço compreendido entre os plexos capilares superficiais e profundos, o que auxilia na diminuição da velocidade de absorção dos medicamentos, permitindo que as injeções sejam realizadas com intervalos prolongados.

Konda e Thappa (2013) indicam que a intradermoterapia capilar seria eficaz no tratamento do Efluvio Telogeno e da Alopecia androgenetica e que os principais ativos utilizados são: minoxidil, finasterida, D-pantenol, buflomedil, biotina, entre outros. 

A periodicidade das sessões intradérmicas no tratamento da alopecia deve ser semanal durante 3 meses, passando a quinzenal por outros 3 meses, e, a partir de então, uma aplicação mensal (UZEL, 2013). 

Em 2010, Azam e Morsi efeturaram um estudo controlado e randomizado para analisar a eficácia da intradermoterapia capilar com minoxidil a 2%, comparado ao minoxidil solução tópica em spray a 2%, para o tratamento de AAG. Foram avaliados 60 pacientes e 10 controles através do tricograma (exame que analisa o cabelo, podendo detectar alterações do ciclo capilar) e um questionário de auto-avaliação. Constataram, então, que a intradermoterapia foi mais eficaz que a solução tópica, com melhora em 3 parâmetros do tricograma: aumento no percentual de fios anágenos, redução no percentual de fios telógenos e redução no percentual de fios tipo velo. 

Em outro estudo realizado em 2013, Uzel concluiu que a infiltração intralesional (mesoterapia) com solução de minoxidil 0,5% mostrou-se mais eficaz quando comparada ao placebo no tratamento da Alopecia androgenetica feminina. Das 50 pacientes que concluíram o estudo, 24 pertenciam ao grupo controle (placebo) e 26 do grupo tratado. Ao final do estudo, 50% das pacientes tratadas com minoxidil intralesional relatou aumento no volume dos cabelos em apenas 16 semanas e 50% das pacientes manteve o quadro. Além disso, outro fator importante nesse estudo foi o fato de não terem sido relatados efeitos adversos sérios, demonstrando um bom perfil de segurança da técnica. 

Alguns fármacos utilizados na intradermoterapia capilar:

  • Minoxidil é um potente vasodilatador, ele é capaz de prolongar a fase anágena e aumentar o diâmetro capilar. A partir do quarto mês de tratamento, espera-se um aumento do volume dos cabelos e no diâmetro da haste capilar, reflexo da reversão no processo de miniaturização dos fios pelo aumento no número de fios terminais e diminuição de fios tipo velo (UZEL, 2013).  Sob forma injetável, o minoxidil possui a vantagem de uma melhor absorção, efeito mais rápido e poder ser utilizado em concentração menor do que o produto aplicado por via tópica. 

  • Finasterida é uma substância de atividade antiandrogênica, ou seja, é um inibidor específico da 5-α-redutase, provocando uma diminuição das concentrações de diidrotestosterona, tanto no plasma quanto nos tecidos. Como resultado, a finasterida inibe a progressiva miniaturização dos folículos pilosos, bem como a consequente aceleração da fase anágena para a fase catágena do ciclo capilar (STEINER & BARTHOLOMEI, 2013). A intradermoterapia potencializa a atividade da finasterida sobre a enzima 5-α-redutase tipo II, justamente por estar sendo injetado no local onde existe maior concentração deste isômero (RIVITTI, 2007). 

  • D-Pantenol é a pró vitamina B5, utilizada em alopecias, que estimula o metabolismo epitelial e nascimento dos fios de cabelo. A carência de vitamina B5 causa acromotriquia (diminuição do fio e perda da cor). É indispensável ao desenvolvimento e à regeneração dos epitélios, não havendo contraindicação ao uso desta vitamina.

  • Biotina é uma vitamina hidrossolúvel do complexo B. Indicada no tratamento de alopecias e dermatite seborreica, a biotina também pode ser associada ao D-Pantenol, para que o efeito de ambas as substâncias seja potencializado. Pode também ser utilizada juntamente com a procaína, para provocar um efeito de vasodilatação (RIVITTI, 2007). 

  • Buflomedil, o buflomedil, assim como o minoxidil, é um vasodilatador, responsável por restaurar e fornecer uma melhor microcirculação, aumentando o diâmetro dos microvasos. (MAIO, 2004). 

  • Pill food, Complexo vitamínicos diversos, 17-alfa-estradiol, dutasterida e outros

  • Apenas o dermatologista é capaz de montar uma mescla específica para o problema de cada paciente, após diagnosticar o tipo de patologia capilar.

 

No que diz respeito ao desconforto durante a técnica, a mescla preparada contém anestésico injetável e é tolerável. 

É um tratamento que pode e deve ser associado a outros, como o Microagulhamento e Laser Capilar.

Por todos os motivos citados acima, a intradermoterapia é uma excelente opção de tratamento disponível, pois se enquadra em um método seguro, rápido e eficaz, uma vez que é capaz aproximar o fármaco do local a ser tratado, reativando estruturas do folículo piloso que por algum motivo tenham o seu funcionamento prejudicado. 

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